JONES DARK O NEGRÃO SORRISO

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sábado, 16 de janeiro de 2010

ZILDA ARNS UMA MISSÃO DE FÉ E DE VIDA.


Testemunhos da Vida Missionária



por Ana Maria Pisani

édica pediatra e sanitarista, fra. Zilda Arns Neumann é fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Criança. Nascida em 25 de agosto de 1934, em Forquilhinha (SC), viúva, mãe de cinco filhos, sempre teve grande interesse pela situação das comunidades carentes do Brasil. Dedicar sua vida à área da saúde, especialmente ao trabalho materno-infantil, foi a forma encontrada para realizar seus sonhos como médica, mulher e cidadã. Nesta edição, em que queremos destacar a contribuição inestimável de mulheres ao bem social, dra. Zilda gentilmente nos concedeu esta entrevista.

De onde nasceu sua vocação para cuidar de crianças?

– Acho que cuidar de crianças é uma vocação natural. Tive uma infância muito feliz e gostaria que todas as crianças pudessem ser felizes. Minha mãe me amamentou até mais de 3 anos e sempre fui muito estimulada por todos da família. Sou a 12a filha de um total de 13 e talvez por ter crescido no interior, no meio de tantas crianças, goste tanto de trabalhar com elas. Lembro que adorava cuidar das crianças durante a missa: chegava sempre mais cedo só para ficar com elas no colo – achava a coisa mais linda do mundo e as crianças também gostavam muito de mim!

Quando sentiu que cuidar de crianças seria seu objetivo na vida?

– Não sei dizer ao certo, mas acredito que minha infância influenciou muito a minha vida. Em Forquilhinha (SC), onde nasci, não havia médico, polícia e mal sabíamos o que era Estado. Morávamos na zona rural e vivíamos nos machucando com pregos, arame farpado...e minha mãe, que lia muitos livros sobre medicina caseira, cuidava da gente como se fosse uma médica! Mas, uma experiência marcante foi uma vez que precisei ir a um médico na cidade de Criciúma e uma criança chegou com infecção, cheia de feridas pelo corpo. Queria de qualquer jeito que ela fosse para minha casa, pois tinha medo que ela não fosse bem tratada!

E como optou pela Medicina?

– Quando decidi ser médica tinha entre 15 e 16 anos. Achava uma profissão muito bonita, principalmente depois de assistir a um vídeo sobre crianças desnutridas no Rio de Janeiro, que me despertou muita vontade de ajudar essas pessoas. Minha mãe ficou muito contente com minha escolha, mas meu pai achava que eu tinha vocação para ser professora e insistia nisso. Persisti no meu propósito: queria ser médica missionária; achava que esse era o meu destino.

Quando e como surgiu o projeto da Pastoral da Criança em sua vida?

– A idéia de levar a Igreja a assumir seu papel na luta contra a mortalidade infantil e a pobreza surgiu em 1982, num debate sobre a miséria, em Genebra, na Suíça. Durante uma conversa informal, James Grant, secretário executivo da UNICEF na época, sugeriu ao cardeal dom Paulo Evaristo, meu irmão, que a Igreja poderia reverter a situação da mortalidade infantil no Brasil. Ao voltar, dom Paulo me contou sobre a conversa.

Em pouco tempo, nascia a Pastoral da Criança a partir de um projeto que fizemos com o apoio do próprio UNICEF. Nossa primeira experiência foi no município de Florestópolis (PR), onde o índice de mortalidade chegava a 127 mortes a cada mil crianças nascidas vivas. Após um ano de atividades nesta cidade, os resultados foram ótimos: a mortalidade infantil foi reduzida a 28 por mil. Apresentamos, então, a experiência aos bispos do Brasil, reunidos em Assembléia Geral.

Com seu apoio, a Pastoral da Criança foi sendo levada pela Igreja, através de sua organização, a todos os 27 estados do país, atingindo mais de 3.757 municípios. Hoje, a Pastoral da Criança acompanha mensalmente, em média, 83.580 gestantes, 1.809.670 crianças carentes menores de 6 anos de idade que vivem em áreas rurais e urbanas, extremamente pobres. São 1.338.310 famílias acompanhadas em 36.258 comunidades.

Como é estruturada a Pastoral da Criança?

– A Pastoral da Criança é uma organização ecumênica que funciona como uma rede de solidariedade, formada por mais de 242 mil voluntários capacitados, trabalhando em todo o Brasil, no combate à desnutrição e à mortalidade infantil, buscando a melhoria da qualidade de vida das crianças. É um organismo da Ação Social da CNBB, que acompanha gestantes e crianças em bolsões de pobreza e miséria de todo o país, independente de cor, raça, crença religiosa ou política. Hoje, a Pastoral da Criança é uma das maiores Ongs do mundo na área de saúde, nutrição e educação infantis.

Quem são e como atuam os agentes da Pastoral?

– São todos voluntários, pessoas simples, em sua maioria mulheres, que vivem nas próprias comunidades onde atuam. São capacitados a desenvolver uma série de ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania em favor da gestante e do desenvolvimento integral da criança. Os familiares das crianças, especialmente as mães, aprendem a valorizar e trabalhar com vigilância nutricional, a identificar problemas de desnutrição, fortalecer o aleitamento materno, alimentação enriquecida, controle de doenças respiratórias e diarréia, uso do soro caseiro, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e de acidentes domésticos, e outras ações simples, baratas e facilmente replicáveis, que propiciam condições saudáveis para o desenvolvimento da criança.

Nosso primeiro objetivo, ao entrar numa comunidade, é capacitar, treinar e aperfeiçoar jovens e adultos a assumirem o papel de líderes comunitários. Depois, toda troca de conhecimento acontece, principalmente, em três momentos: visitas domiciliares mensais, realizadas pelos líderes às famílias acompanhadas; dia do Peso, quando cada comunidade se reúne para pesar suas crianças – esse dia se transforma no momento de celebração da vida e de suas conquistas; reuniões mensais entre os líderes de uma mesma comunidade, para refletir e avaliar o trabalho realizado no mês anterior, e reforçar a soma de esforços para superar as metas.


Acabam surgindo outras atividades e iniciativas?

– Sim, pois do convívio enriquecedor entre as famílias, e com as boas lideranças, vão nascendo novas idéias e novos desafios.

Hoje, existem ações complementares, tais como:

Educação de Jovens e Adultos para as mães de crianças acompanhadas pela Pastoral; confecção de brinquedos e brincadeiras, materiais educativos impressos; levantamento de dados para Controle Social e Políticas Públicas. Já foram feitas mais de duas dezenas de vídeos, além do Jornal da Pastoral da Criança, com 250 mil exemplares mensais, e um programa semanal de rádio – Viva a Vida – transmitido por quase 2 mil emissoras em todo o país.

Ainda merece destaque a REBIDIA (Rede Brasileira de Informação e Documentação sobre a Infância e Adolescência), que tem o objetivo de disseminar informações sobre a criança e o adolescente e capacitar articuladores junto aos Conselhos de Saúde e conselheiros municipais, para que contribuam na formulação de políticas públicas e na melhoria da qualidade de vida da infância brasileira. Além disso, existem ações opcionais, como: acompanhamento da Terceira Idade, projetos de geração de renda, montagem de brinquedotecas, programas de rádio, etc...



Quais os resultados alcançados?

– A mortalidade infantil atingida pela Pastoral da Criança é de 15 óbitos no primeiro ano de vida para cada mil nascidos vivos. Segundo o IBGE, a mortalidade infantil no Brasil, em 2002, foi de 28 mortes no primeiro ano de vida para cada mil crianças nascidas vivas. Um aspecto significativo é que a Pastoral atua exclusivamente em bolsões de grande pobreza, onde a média de mortalidade infantil costuma ser até o dobro da taxa nacional. Outra conquista é a redução da desnutrição a 5% entre as mais de 1,8 milhão de crianças acompanhadas em todo o Brasil.

São 20 anos valorizando o protagonismo de cada um, voluntários e familiares, na transformação da sua própria realidade e na garantia da qualidade de vida das suas crianças. Rompeu-se o ciclo da exclusão de milhões de brasileiros, pela prática de ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania, que geram e fortalecem a paz. Uma cultura de paz, em que se estimula o cuidado da mãe com os filhos, dos pais com a família, da comunidade com suas gestantes e crianças.

Uma rede humana compromissada com direitos e deveres, respeito entre as pessoas, compartilhando sonhos e ideais. Com a redução da violência e da marginalidade e o retorno das famílias a valores éticos consegue-se preservar o que existe de melhor na
vida em comunidade. Pode-se afirmar, com segurança, que atualmente o problema da violência no ambiente familiar é muito reduzido nas famílias acompanhadas pela Pastoral da Criança, evitando, assim, o abandono e a fuga das crianças.

E os custos de tudo isso, como são sustentados?

– Para realizar todo este serviço, a Pastoral da Criança recebe apoios nacionais e internacionais, tanto de entidades ligadas à Igreja como de órgãos governamentais e não-governamentais. Entre os que nos dão suporte técnico e financeiro está o Ministério da Saúde, que arca com cerca de 59% dos custos financeiros totais, desde 1987. O maior financiador não-governamental é o Criança Esperança, um programa da Rede Globo de Televisão, em parceria com o UNICEF, que nos repassa uma porcentagem dos recursos arrecadados.

Como a Pastoral da Criança vem se projetando no mundo?

– A partir da experiência brasileira, a Pastoral vem transferindo metodologia e apoiando o surgimento de trabalhos baseados em seu modelo em outros países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Venezuela, México, Angola, Guiné-Bissau, Uruguai, Moçambique, Timor Leste e Filipinas. Em Angola, em 1994, comecei um treinamento com dezessete mulheres. Atualmente, mais de 2.500 já estão capacitadas e mais de cinco mil crianças estão cadastradas na Pastoral. Acreditamos que pelo menos dez mil crianças em todo o país estejam sendo atendidas.

Estive também na Guiné-Bissau e fui a seis comunidades muçulmanas. Uma freira missionária brasileira, desesperada com a mortalidade infantil, iniciou a Pastoral da Criança no país ensinando as mães a prepararem o soro caseiro, ações de vigilância nutricional, entre outras, e logo começou a ver os resultados promissores.

A Conferência dos Religiosos da América Latina (CLAR) está formando grupos intercongregacionais para capacitar religiosos, de diversas congregações, para atuarem na expansão e consolidação da Pastoral da Criança na América Latina.

http://www.pime.org.br/

6 comentários:

  1. MARAVILHOSA MATÉRIA!
    GOSTEI MUITO DA HOMENAGEM.
    jÚNIOR

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  2. pARABÉNS PELA LEMBRANÇA.
    AS PESSOAS MARAVILHOSAS MERECEM SER LEMBRADAS E HOMENAGIADAS.
    LURDES MARTINS
    MARILVA

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  3. JONES DARK!
    Gostei muito da homenagem a uma pessoas tão especial.
    parabéns pelo seu blog!
    Carlos

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  4. Foi muito muito triste o que aconteceu com ela, mas vc mostrou a sua vida de uma maneira muito especial.
    adoro vc sou sua fã.
    Gilda
    sarandi

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  5. A vida das pessoas, que fizeram muito é sempre muito bem homenageada.
    Jones dark gosto muito de vc e vc sumiu .
    aparece...
    Maria de Fatima.
    vila nova

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  6. Adorei a matéria, vc colocou de um modo completo sua vida.
    foi horrivel sua morte e de muitos brasileiros que estavam lá.
    José Carlos

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